Conheça, Experimente, Viva… o Vale do Côa: Um espaço que guarda um património inimitável que nos integra no ambiente natural e na natureza humana.

15 02 2010

VALE DO CÔA, MARAVILHA NATURAL DE PORTUGAL

Categoria: Zonas Aquáticas não Marinhas

Dossiê Executivo

Promotor:

AMVC – Associação de Municípios do Vale do Côa

Entidades participantes:

ATN – Associação Transumância e Natureza

PAVC – Parque Arqueológico do Vale do Côa

Vila Nova de Foz Côa, 18 de Fevereiro de 2010

O Vale do Côa e a sua dimensão ecológica:

Uma Zona Aquática com carácter único e biodiverso

O Rio Côa (afluente do Douro), nasce em Fóios (Serra das Mesas), escoa de Sul para Norte e ao longo da sua prolongada existência modelou um vale com uma demarcada identidade, que combina a dinâmica da água, das rochas, das plantas e dos animais, onde a milenar presença humana não destruiu o património natural que o rio criou.

A genética desta “árvore de água” que abre os seus “ramos” a Sul e escoa encaixada em granitos, entroncando no Baixo Côa xistoso, até desaguar no Douro, a Norte de Vila Nova de Foz Côa, resulta da combinação entre as dinâmicas climáticas e a condição geológica deste vale. Aqui criou-se um espaço que revela várias composições fito-sociológicas – galerias ribeirinhas, charcos temporários, matas de Quercus (carvalhos, azinheiras e sobreiros), bosques de zimbro, matos e matagais com predominância de giesta branca e esteva, prados planálticos, etc. – que constituem habitat para diversas espécies de animais, das quais se destacam as seguintes, pelo seu valor para a biodiversidade: Grifo, Águia-real, Águia de Bonelli, Britango, Cegonha-preta, Bufo-real, Andurinhão-real, Lobo, Gato-bravo, Lontra, Lagarto-d’água e Cágado-mediterrânico.

O Vale do Côa conserva uma Zona de Protecção Especial (ZPE) – Directiva Aves, detendo o estatuto internacional de IBA (Importante Bird Area) atribuído pela “BirdLife International”, demonstrando o inestimável valor da biodiversidade desta Maravilha Natural de Portugal.

Para a conservação das espécies e dos seus habitats naturais, têm vindo a ser desenvolvidas acções no terreno, nomeadamente pela ATN (Associação Transumância e Natureza), no sentido de proteger algumas espécies ameaçadas, em especial as aves rupícolas, intervindo na sua cadeia alimentar, pela sementeira cerealífera que alimenta roedores: alimento para várias espécies.

Os testemunhos pré-históricos do Vale do Côa (artefactos e gravuras rupestres em rocha, ao ar livre), decorrentes da presença de caçadores-recolectores ao longo de todo o Paleolítico Superior (de 30 a 10 mil anos, do presente), atestam sobre as espécies de plantas e de animais que aqui sobreviveram, o que permite compreender as mutações que o clima imprimiu na composição ecossistémica desta Zona Aquática do interior do Continente e obter uma visão rara e com relevante valor científico da evolução que esta registou até ao presente.

As características geomorfológicas que o vale oferece, tornam possível identificar ao longo dos últimos 30 mil anos a sequência das mudanças climáticas que enquadraram a última glaciação (Würm) e os seus inter-estádios climáticos e proporcionam uma visão panorâmica das mudanças que ocorreram nos habitats e no conjunto das espécies nesta latitude.

As pesquisas arqueológicas revelaram, através de um notável conjunto de gravuras rupestres (classificadas como Património Mundial pela UNESCO, em 1998) datadas do Paleolítico Superior e de diversos artefactos deixados pela presença humana, a existência de diversas espécies de animais: cabras monteses, camurças, cavalos selvagens – semelhantes ao Przewalski da Mongólia, com provável semelhança com a espécie que existiu no Vale do Côa – auroques e veados. Algumas gravuras encontradas atestam que aqui também tenham vivido, neste período, várias outras espécies como gamos, bisontes e várias espécies de aves e de peixes, designadamente o sável.

A combinação deste conhecimento do passado, para o qual muito concorre a investigação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, com a realidade actual deste vale e da sua envolvente próxima, dá um carácter único e de enorme valor científico, cultural e patrimonial ao mosaico de habitats, de espécies e de paisagens que o Vale do Côa conserva, enquanto zona aquática no interior continental de Portugal.

Bibliografia

AMVC – Associação de Municípios do Vale do Côa (2009) – Estratégia de Eficiência Colectiva PROVERE – Turismo e Património no Vale do Côa. Vila Nova de Foz Côa: AMVC

ATN – Associação Transumância e Natureza (2009) – Actividades na Faia Brava – Vale do Côa: 2000/2008. [Em linha], [Consultado em 10 de Dezembro de 2009]. Disponível em <URL: http://www.atnatureza.org/actividades/pdf/BrochuraFaiaBravaATN2000-2008. pdf>

Baptista, António (2009) – O Paradigma Perdido. Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal. Vila Nova de Foz Côa: PAVC – Parque Arqueológico do Vale do Côa (IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) / AMVC – Associação de Municípios do Vale do Côa.

Godinho, João (2009) – Caracterização e Estudo Ecológico da Avifauna Rupícola na ZPE – Vale do Côa. Relatório de Estágio / ATN – Associação Transumância e Natureza. [Em linha], [Consultado em 20 de Dezembro de 2009]. Disponível em <URL: http://www.atnatureza.org/actividades/pdf/relatorio_estagio_aves_rupicolas_zpe_vale_coa_2009-joao_godinho_ua. pdf>

ICN / Instituto de Conservação da Natureza (actual Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade) (2006) – Plano Sectorial da Rede Natura 2000. Lisboa: ICN (ICNB).

Lima, M.; Lima, J. e Jorge, R. (2006) – Comportamento Escalante de Dados Hidrométricos da Bacia do Rio Douro. [Em linha], [Consultado em 12 de Dezembro de 2009]. Disponível em <URL: http://www.fnca.eu/congresoiberico/documentos/c0206.pdf>

Luís, Luís (2008) – A Arte e os Artistas do Vale do Côa. Parque Arqueológico do Vale do Côa: Guia para Visitantes. Vila Nova de Foz Côa: PAVC – Parque Arqueológico do Vale do Côa (IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) / AMVC – Associação de Municípios do Vale do Côa

MAOT / Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (2001) – Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Douro. Relatório Final. Lisboa: MAOT.

Ligações na internet

  • AMVC / Associação de Municípios do Vale do Côa

valecoa / Maravilha Natural de Portugal

https://valecoa.wordpress.com

  • APDARC / Associação para a Promoção da Arte e Cultura do Vale do Côa e Douro Superior

http://www.apdarc.org

  • ATN / Associação Transumância e Natureza

http://www.atnatureza.org

  • Câmara Municipal de Almeida

http://www.cm-almeida.pt

  • Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo

http://www.fcr.pt

  • Câmara Municipal de Mêda

http://www.cm-meda.pt

  • Câmara Municipal de Pinhel

http://www.cm-pinhel.pt

  • Câmara Municipal de Sabugal

http://www.cm-sabugal.pt

  • Câmara Municipal de Trancoso

http://www.cm-trancoso.pt

  • Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa

http://www.cm-fozcoa.pt

  • ICNB / Seguimento de Aves Via Satélite

ICN (Instituto de Conservação da Natureza), actual ICNB (Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade)

http://www.icnb.pt

http://seguimentodeaves.domdigital.pt

  • PALOMBAR / Associação de Proprietários de Pombais do Nordeste

http://www.palombar.org http://www.aepga.pt

  • PAVC – Parque Arqueológico do Vale do Côa

http://www.ipa.min-cultura.pt/pt/monuments/53/

  • Património Natural e Cultural – Vale do Côa e Além Douro

http://valecoadouro.lac.pt